sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Procuro por imagens, em fotografias, nossas

Procuro uma expressão que revele que a existência é, não que a existência foi.
Procuro por um sorriso no rosto, por uma lágrima que rasga a face, um queixo puxado para os lábios ou rugas envolvendo os olhos.
Encontro uma fotografia tua, uma em que chegavas a casa descalça, molhada pela chuva e com o chapéu fechado.
Se bem me lembro nunca mais o abriste desde a ultima vez em que sob ele caminhamos juntos.
Na imagem sorris, mas os teus olhos choram, estão cinzentos, corres a abraçar-me beijas-me e a noite cai, sobre uma lua envolta num manto escuro estrelado.
Deito-me no tapete, onde outrora os teus louros cabelos se enrolavam nos meus, agora pelas memórias continuo agarrado a ti pelas memórias me lembro:
-Se voltar a abrir este chapéu perco o que de ti se evaporou- disseste, enquanto chovia e sobre um chapéu-de-chuva o mundo era nosso.

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