terça-feira, 13 de novembro de 2012

I was confused inside of me

Ouvia coisas.
Sentias coisas.
Coisas que nunca pensei um dia conhecer, ter contacto e no entanto elas vieram ter comigo.
Como uma onda não esperada quando estamos de costas para o mar.
Que nos toca e arrepia, surpreende e rouba todo o ar que temos nos pulmões, assim sem mais nem menos.
Sem justificações, pensamentos, lógicas ou qualquer tipo de racionalidade, sinto!
Sinto com os olhos e ouvidos, oiço com as mãos e lábios e tudo parece mais lento a medida que caminho por uma estrada de luz que a nada me leva e tudo vejo no caminho, passado, presente e possíveis futuros.
Luz entra e sai pelos meus olhos de várias cores e de uma única, a que realmente existe pelo caminho fora!
Essa luz é todo um ser, que não se pode descrever, pois está para além humanidade, está longe de qualquer tipo de percepção que se possa ter através de cálculos ou sentidos.
Nenhum cérebro poderá entender e absorver esta quantidade de energia que se manifesta neste caminho, pois este ser É o caminho e só quem já foi o pode percorrer.

domingo, 4 de novembro de 2012

Enjoas-me pequena Larva!

A caminhar pelo meu tronco e ramos, libertando a tua gosma peluda.
Sinto as tuas minúsculas patas sincronizadas em direcção ás minhas folhas, peço ajuda ao distante Vento, à Chuva presente e as Aves distraídas mas nenhuma me acode.

E começas a mastigar-me.
Com as tuas pequenas mandíbulas vais-me gastando e matando.
Tenho pena das folhas que só vão conhecer a Primavera.
As que não sobrevivem a ti e ás da tua espécie, as poucas, que tal como os outros insectos, sobrevivem a essas mandíbulas devoradoras, sem remorsos ao atacarem a sua espécie.

Triste Larva, matas-me por fora e o Homem por dentro me destrói o coração, lançando-o para as suas fogueiras!
Sim, querida Larva, é o que acontece quando já não damos fruto, flor, folha.
O que de nós cuida retira o que nos resta.
E alegra-se quando já crescida te vê voar!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

"Oblivion



Procuro-te por caminhos que os teus pés traçavam, por sítios onde te encontrar e beber do que és era certo, mas esses caminhos, essas fontes que me mantinham vivo para ti, secaram.
Sinto-me como uma vela que não tem mais cera que queimar mas que nem por isso se apaga.
Sinto-me horrível de cada vez que me lembro do que fiz, disse ou pensei quando te amava.

Um manto de sono negro arrasta-me para o esquecimento do que foi amar-te, do que foi...
Por vezes uma reminiscência desse mesmo passado dá força à chama que não se apaga, que lentamente vai queimando todas as construções por nos feitas permitindo o seu sustento.
Deixando cinzas e memórias chamuscadas."

Procuro por imagens, em fotografias, nossas

Procuro uma expressão que revele que a existência é, não que a existência foi.
Procuro por um sorriso no rosto, por uma lágrima que rasga a face, um queixo puxado para os lábios ou rugas envolvendo os olhos.
Encontro uma fotografia tua, uma em que chegavas a casa descalça, molhada pela chuva e com o chapéu fechado.
Se bem me lembro nunca mais o abriste desde a ultima vez em que sob ele caminhamos juntos.
Na imagem sorris, mas os teus olhos choram, estão cinzentos, corres a abraçar-me beijas-me e a noite cai, sobre uma lua envolta num manto escuro estrelado.
Deito-me no tapete, onde outrora os teus louros cabelos se enrolavam nos meus, agora pelas memórias continuo agarrado a ti pelas memórias me lembro:
-Se voltar a abrir este chapéu perco o que de ti se evaporou- disseste, enquanto chovia e sobre um chapéu-de-chuva o mundo era nosso.

Sente-se a tua presença

Como um gato de reluzente pelo preto caminhas pela noite.
Caminhas e o teu caminhar é leve, suave como uma brisa de Primavera.
Olhas as ruas e encaminhas-te para as docas, roubando-me o sono como um gato roubaria um peixe.
Entretens-te a mordisca-lo, a garantir que não haja sonhos, que não haja descanso.
Castigas-me através do peixe já sem vida, lambes os teus bigodes prateados levemente manchados de tinto, com um sorriso de satisfação e prazer. Nunca um peixe te soubera tão bem!

Num dia cinzento.

Acordo para um novo dia, um dia cinzento, um dia em que não há cães na rua à chuva, um dia em que não vejo ninguém nos passeios a passar frio, fome, a passar por um momento de solidão e desprezo. 
Olho a minha volta e não vejo sinais de crise, não vejo tensões sobre globo, o prémio Nobel da Paz é atribuído a todo o mundo neste dia.
A chuva molha me o rosto quente, os meus olhos ficam húmidos e sinto lágrimas que me rasgam a face como uma lamina rasgaria gargantas. E dói da mesma forma, é sufocante! É triste! E mais triste que a dor é acordar e ver que o mundo está na mesma, que o dia é cinzento e que os cães abandonados à chuva aquecem os que não tem tecto

Deambulo pelas ruas

Sou perseguido, por um qualquer ser das trevas, um qualquer não, por três.
Três sombras que aumentam e diminuem de tamanho à passagem dos candeeiros, em tudo iguais a mim, mas em tudo distintas.
Uma não tem o caderno que trago na mão direita, outro o chapéu-de-chuva e ainda aquela que na sua cor perde o cachecol que trago.
Todas estas se direccionam a mim, como que procurando algo que lhes pertence, algo que eu lhes tenha tirado e que só com sangue se pode repôr.
E sangue escorre pela calçada branca e preta nascendo o Sol para um Dia morto.

Realidade limitada

Um homem negro caminha, sua sombra branca contrasta com o pavimento, olhos negros que vêm mais que castanhos, verdes ou azuis, unhas negras e lábios negros.
Lábios que negras palavras proferem, palavras que se espalham pelo ar e que emprestam a sua cor ao céu nocturno.
E desse negro pano escorre um fino fio que tinge o alcatrão onde ele caminha.
Para este homem não há limites, não há fins.
A única coisa que o limita é a imaginação, ilimitada por natureza.