terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Tenho-me usado de ti

Tenho-me refugiado entre os teus abraços e beijos.
Entre os teus bons dias rasgados com um sorriso que abarca toda a alma que não se vê.
Tenho feito isto de uma forma inconsciente, instintiva e só agora tomo conhecimento disso, só agora o vejo e só agora me apercebo da minha fraqueza, da minha incompletude, da tentativa de evitar os problemas e confrontos que me surgem.
Sinto-me enjoado, cansado, triste e em ultima instância sem vida quando estou longe de ti, isto porque fujo, porque oculto-me num amor que sem o saber me protege como um manto do frio, como um escudo de flechas em chamas que tentam trespassar a carne, como só o amor sabe proteger e cuidar.
Tenho me usado de ti, e tu de mim- penso agora- e isso pouco importa, isso pouco diz, ou tudo revela.
Gosto de ti e em nós tudo é natural, tudo é instintivo e quando pensado tudo se torna assim feio sem cor ou graça, vê-mo-nos como parasitas, quando na verdade o amor não é pensado, o verdadeiro, é sentido.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Quando doí também escrevo

É mais forte a corrente que me amarra e liberta a escrita, quando doí mais que escrito, falado, mais simples talvez.
E quando escrevo a dor passa, o rio perde a vida no seu interior e no papel vê se a terra e a pedra do seu leito.

Arruma as tuas coisas querida, hoje vamos mudar o mundo

Hoje vamos deixar o passado onde pertence, vamos alterar o presente e construir o futuro, vamos deitar por terra conceitos e percepções até os símbolos que usamos deixarem de fazer sentido, tudo será nada e nada será, amanhã ninguém morrerá e ninguém será vivo.
Uns temem outros acreditam e ainda outros desconfiam, mas o fim é certo para todo e qualquer princípio.
Já não importa quem és querida, desfaz as malas pois estás em casa.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

I was confused inside of me

Ouvia coisas.
Sentias coisas.
Coisas que nunca pensei um dia conhecer, ter contacto e no entanto elas vieram ter comigo.
Como uma onda não esperada quando estamos de costas para o mar.
Que nos toca e arrepia, surpreende e rouba todo o ar que temos nos pulmões, assim sem mais nem menos.
Sem justificações, pensamentos, lógicas ou qualquer tipo de racionalidade, sinto!
Sinto com os olhos e ouvidos, oiço com as mãos e lábios e tudo parece mais lento a medida que caminho por uma estrada de luz que a nada me leva e tudo vejo no caminho, passado, presente e possíveis futuros.
Luz entra e sai pelos meus olhos de várias cores e de uma única, a que realmente existe pelo caminho fora!
Essa luz é todo um ser, que não se pode descrever, pois está para além humanidade, está longe de qualquer tipo de percepção que se possa ter através de cálculos ou sentidos.
Nenhum cérebro poderá entender e absorver esta quantidade de energia que se manifesta neste caminho, pois este ser É o caminho e só quem já foi o pode percorrer.

domingo, 4 de novembro de 2012

Enjoas-me pequena Larva!

A caminhar pelo meu tronco e ramos, libertando a tua gosma peluda.
Sinto as tuas minúsculas patas sincronizadas em direcção ás minhas folhas, peço ajuda ao distante Vento, à Chuva presente e as Aves distraídas mas nenhuma me acode.

E começas a mastigar-me.
Com as tuas pequenas mandíbulas vais-me gastando e matando.
Tenho pena das folhas que só vão conhecer a Primavera.
As que não sobrevivem a ti e ás da tua espécie, as poucas, que tal como os outros insectos, sobrevivem a essas mandíbulas devoradoras, sem remorsos ao atacarem a sua espécie.

Triste Larva, matas-me por fora e o Homem por dentro me destrói o coração, lançando-o para as suas fogueiras!
Sim, querida Larva, é o que acontece quando já não damos fruto, flor, folha.
O que de nós cuida retira o que nos resta.
E alegra-se quando já crescida te vê voar!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

"Oblivion



Procuro-te por caminhos que os teus pés traçavam, por sítios onde te encontrar e beber do que és era certo, mas esses caminhos, essas fontes que me mantinham vivo para ti, secaram.
Sinto-me como uma vela que não tem mais cera que queimar mas que nem por isso se apaga.
Sinto-me horrível de cada vez que me lembro do que fiz, disse ou pensei quando te amava.

Um manto de sono negro arrasta-me para o esquecimento do que foi amar-te, do que foi...
Por vezes uma reminiscência desse mesmo passado dá força à chama que não se apaga, que lentamente vai queimando todas as construções por nos feitas permitindo o seu sustento.
Deixando cinzas e memórias chamuscadas."

Procuro por imagens, em fotografias, nossas

Procuro uma expressão que revele que a existência é, não que a existência foi.
Procuro por um sorriso no rosto, por uma lágrima que rasga a face, um queixo puxado para os lábios ou rugas envolvendo os olhos.
Encontro uma fotografia tua, uma em que chegavas a casa descalça, molhada pela chuva e com o chapéu fechado.
Se bem me lembro nunca mais o abriste desde a ultima vez em que sob ele caminhamos juntos.
Na imagem sorris, mas os teus olhos choram, estão cinzentos, corres a abraçar-me beijas-me e a noite cai, sobre uma lua envolta num manto escuro estrelado.
Deito-me no tapete, onde outrora os teus louros cabelos se enrolavam nos meus, agora pelas memórias continuo agarrado a ti pelas memórias me lembro:
-Se voltar a abrir este chapéu perco o que de ti se evaporou- disseste, enquanto chovia e sobre um chapéu-de-chuva o mundo era nosso.